Os tempos que vivemos são complexos. A crise habitacional e o aumento do custo de vida estão a empurrar cada vez mais famílias para o limiar da pobreza. Só em 2025, a nossa delegação acompanhou 761 utentes, entre pessoas em situação de sem-abrigo, famílias em risco e idosos isolados. Distribuímos mais de 10.309 pequenos-almoços e cerca de 22 000 almoços e jantares na nossa Cantina Social, com os excedentes de um grupo hoteleiro, unindo esta dádiva, que se traduz numa política de combate ao desperdício alimentar, a uma necessidade básica de ser humanos.
Estes números não são apenas dados de um relatório; são a prova de que muitas pessoas precisam de apoio alimentar.
Para sustentar esta ajuda, as Recolhas de Bens Alimentares em loja são vitais. Não como um evento de calendário, mas como a nossa principal “tábua de salvação”. No entanto, sentimos, com profunda preocupação, um crescente cansaço da sociedade civil perante estes peditórios. Compreendemos a saturação; as solicitações são muitas e as famílias também sentem a pressão nos seus próprios orçamentos. Mas é fundamental dizer que, sem estas campanhas e sem a generosidade de quem deposita um pacote de massa ou uma lata de conserva no nosso carrinho, a nossa missão torna-se inviável. As muitas pessoas que auxiliamos ficam para trás.
O nosso projeto “CASAS Amigas”, depende destas doações para conseguirmos entregar cabazes mensais a famílias que, de outra forma, teriam a mesa vazia. Só no último ano, conseguimos distribuir 2.430 cabazes.
Quando fazemos uma recolha em loja, o que pedimos não é um luxo. É o básico, o essencial. É o pacote de massa, o quilo de arroz, o frasco de leguminosas ou a lata de atum. Para quem doa, pode ser apenas “um euro e pouco” que sai do orçamento. Para nós, no armazém do CASA, esse pacote de arroz é a diferença entre a dignidade e o desespero.
A par disto, enfrentamos outra carência: a falta de disponibilidade. A dificuldade em encontrar voluntários disponíveis para nos apoiar nestas ações de recolha, é cada vez maior. O CASA é uma instituição feita por pessoas para pessoas, onde a força motriz são os voluntários que doam o seu tempo e assim fazem a diferença. Precisamos de mãos, de vozes e de sorrisos que ajudem a sensibilizar quem passa. Sem voluntários, não há recolha; sem recolha, não há alimento. É uma engrenagem frágil que depende inteiramente da generosidade. Mais, da alteridade.
Este não é apenas um apelo a bens materiais. É um apelo à humanidade. É um pedido para que não deixemos que o “cansaço” a “incompreensão “, nos impeça de estender a mão. O CASA Madeira continuará a ser, como diz o nosso lema, a “mão unida à missão”. Mas precisamos que a sociedade civil continue a ser o alicerce desse trabalho. O meu apelo é humanista e real: não olhem para as nossas recolhas em loja como um incómodo, mas como uma oportunidade de garantir que ninguém fica para trás. Às vezes, o seu “simples” pacote de massa é a diferença numa mesa de alguém.
No CASA, continuamos com a nossa “mão unida à missão”. Mas hoje, mais do que nunca, precisamos que essa mão seja a vossa.
Sílvia Ferreira | Coordenadora do CASA Madeira
Vivemos num mundo repleto de desafios e desigualdades sociais. As pessoas em situação de sem-abrigo são uma parte vulnerável da nossa sociedade. Ajudar a melhorar as suas vidas é uma missão nobre e urgente. Junte-se a nós nesta missão.
Fazer DonativoSer voluntário é dar uma ajuda aos que mais precisam, um apoio vital quando tudo o resto falhou, uma esperança de que se pode dar a volta e fazer com que a população em situação de sem-abrigo fique mais perto da reinserção e de sair da rua.
Torne-se VoluntárioMorada: Rua Dr. João de Barros, 17G, 1500-230 Lisboa
Telefone: +351 217 269 286
Email: info@casa-apoioaosemabrigo.org